Maílson da Nóbrega, ex-ministro a Fazenda, não concordou com Guido Mantega de que o momento não é apropriado para aumentar juros. Em contra partida, Maílson entende que é melhor dar uma freada. A Selic poderá se elevar e o ministro atual poderá quebrar a cara. Em entrevista ao Estado de S.Paulo, Maílson condenou a postura adotada por Mantega horas antes, em uma palestra para empresários em São Paulo. Em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Nóbrega disse que houve habilidade em manter um comportamento conservador. As derrotas sofridas pelo governo
“Boca calada é o melhor para ele. Mas parece que ele tem uma compulsão por ficar falando sobre estas questões de juros.” Maílson se referia aos comentários feitos por Mantega durante o evento, quando afirmou aos jornalistas que não há necessidade de aumento de juro neste momento. Segundo Maílson, Mantega corre o risco de ficar desmoralizado se a taxa Selic subir, o que, na avaliação dele, deve ocorrer no máximo até setembro.
HERANÇA FISCAL
Sobre o presidente Lula, Maílson da Nóbrega foi enfático. “Ele teve a sensibilidade de perceber a relação entre a estabilidade de preços e sua popularidade.” O ex-ministro, no entanto, fez ressalvas. “O governo Lula está deixando uma herança fiscal muito ruim para quem vem lá na frente. O próximo presidente terá que fazer uma reforma fiscal para reestabelecer a capacidade de investimentos no setor público e colocar fim na expansão exagerada dos gastos correntes.”
Maílson da Nóbrega afirmou ainda que uma ala antiga do PT ia mudar o partido para pior, mas Lula não deixou. Segundo o ex-ministro, Lula foi conservador na área econômica, onde obteve sucesso, mas entregou à esquerda do partido a política externa e a reforma agrária. “Nestes casos, acumulou derrotas.”
Sobre eventuais mudanças na política econômica do Brasil após as eleições presidenciais, Maílson da Nóbrega mostrou-se tranqüilo. “Minha avaliação é de que a política econômica não será alterada, seja pelo Serra, seja pela Dilma.” (Maurício Nogueira) |