A dinâmica da política já demonstrou que muitas vezes um "não" insistentemente produzido pode se tornar um "sim", dependendo do cenário. De acordo com aliados do gvernador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), o tucano é sim cotado para ser vice na chapa do PSDB que disputará a Presidência. Mas batida do martelo será em abril ou maio. Até lá, pretende analisará o desempenho do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nas pesquisas de intenção de voto, proclamam alguns aliados. Se avaliar que o paulista sustenta a dianteira, é provável que abrace a causa. Caso contrário, e o mais provável, se dedicará à eleição em Minas Gerais. O Senado será o refúgio do batalhador. No final da tarde desta sexta-feira, Aécio divulgou que é "absurda" e "irresponsável" a hipótese de ele ser candidato a vice-presidência na chapa tucana.
Aécio diz que não está nos seus planos compor a chapa como vice. No entanto, a cautela se baseia no temor de que o favoritismo de Serra seja recall das eleições passadas e a tendência do governador seria perder espaço para os demais candidatos. Para os aliados de Aécio, ele não pretende entrar num projeto que, além de não ser seu, tem chances de derrota.
A cúpula do PSDB está convencida de que a chapa puro-sangue é a forma de vencer a candidatura governista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Ter um bom desempenho em Minas, dizem os caciques, seria a única forma de compensar a provável derrota no Nordeste. "Serra será candidato em qualquer circunstância, mas sabe que com Aécio a vitória fica mais próxima", afirmou um líder do partido.
Porém, enquanto Aécio caminha, cautelosamente, e checa as chances de vitória do projeto tucano, os caciques do PSDB avaliam que a união entre os governadores seria o ingrediente que falta para abrir uma dianteira maior nas intenções de voto. Parte do PSDB sustenta a avaliação de que a consolidação do nome de Dilma junto ao eleitorado, o ambiente econômico e a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são fatores suficientes para Aécio decidir a favor da composição.
NÃO SEGUIDAS VEZES
O governador de Minas vem repetindo publicamente de forma sistemática que pretende disputar o Senado e se dedicar à eleição de seu vice, Antonio Anastasia, no Estado. São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais no País. No terceiro, o Estado do Rio de Janeiro, os tucanos acreditam também ter vantagem em relação ao PT, se tiverem na disputa "a dupla do Sudeste".
No caso de Aécio decidir ficar de fora do projeto Serra, outro nome tucano começa a circular nos bastidores. É o do senador Tasso Jereissati (CE). A explicação é simples: ele é do Nordeste e tem ótimo trânsito com o empresariado. "São duas importantes características que o Serra não tem", resumiu um integrante do PSDB. Será o caso de um "não" virar "sim". Opine.
Aécio reafirmou que será candidato ao Senado e chamou de "ilação" a aposta de tucanos de que poderá mudar de opinião futuramente.
"É absurda e irresponsável essa ilação de que aguardo pesquisas. Serei candidato ao Senado por Minas porque, não sendo candidato à presidência, é esta a melhor forma de contribuir para que o PSDB seja vitorioso nessas eleições", disse o governador, em declaração divulgada por sua assessoria. (Maurício Nogueira) |